01 - Príncipes Encantados
San Francisco, Califórnia.
— E aí, Caliel está ansiosa para saber quem será seu colega de quarto? Porque a Thalia não vai estar lá para ser sua melhor amiga, esse ano...
— Ér... Não, não sei, mãe.
Eu não consigo entender o que as mães têm que as fazem gostar tanto de implicar com as filhas! Oras. Ela sabe que eu estou nervosa quanto a esse assunto.
Quando você já sabe que está se mudando para um internato onde os dormitórios são para dois – e que a diretora não tem nenhum problema contra juntar meninos e meninas – não tem como não ficar ansiosa para saber quem será seu parceiro de quarto.
E o pior é que eu não estava preparada para conhecer e fazer amizade com novas pessoas. Thalia foi a única que eu encontrei para ser melhor amiga – e única amiga. E com a partida dela para Los Angeles, eu teria que dividir meu quarto com alguém que eu nem conhecia.
É incrível o quão anti-social eu sou e como as pessoas não entendem esse simples fato de que eu gosto de manter distância das pessoas, me sinto bem com poucos amigos.
Estou indo para o primeiro ano do ensino médio. E sabe o que me conforta em saber que estou no primeiro ano? Nada. Ter consciência do fato de que ainda terei dois anos convivendo com pessoas pelo menos quatro horas por dia me deixa de certa forma até enojada. Sinceramente, o problema não é com a escola por ela ser um internato, mas sim com os alunos. Eu até gosto da arquitetura antiga cheia de detalhes nas paredes e nos tetos. Tudo muito rústico. Dava até um ar mais serio que a escola não tem – eu vou revelar o que se passa nos corredores desse lugar.
— Olha, veja pelo lado bom – Que não existe, pensei. – Você poderá conhecer um novo amigo que ficará juntinho com você vinte e quatro horas por dia!
— Mãe... Você não está falando sério.
Ela não podia.
— Estou falando serio.
— Por que não? Nem o fato de que talvez eu divida o quarto com um menino me incomoda... Nem ao mesmo um pouco. – Eu usei todo o meu sarcasmo para ela nem notar e continuar sorrindo, dirigindo o carro e me levando para o meu próximo inferno de vida.
— Se for um menino, vai gostar bastante de você.
— Você acha?
— Claro. Você é um anjo, meu amor. Seus cabelos ruivos são seu charme e não foi por isso que te dei o nome de Caliel.
Se existia uma coisa que eu me orgulhava mesmo, eram meus cabelos. E em segundo lugar, meu nome.
Paramos em frente à Lewis Gymnasium. Os portões sempre fechados com coordenadores equipados com as fichas de inscrição de cada aluno, para que não entrasse nenhum penetra na escola.
Desci do carro depois de me despedir de mamãe e fui até a coordenadora na frente nos portões.
Ela era uma mulher velha e enrugada com os cabelos brancos de palha presos em um coque muito alto cheio de grampos pretos à mostra. Seus óculos gigantes que aumentavam várias vezes seus olhos já deviam ter quebrado seu nariz há anos para ter um nariz tão torto.
— Qual é o seu nome, mocinha?
— Caliel Chase. – Respondi um pouco baixo.
De acordo com os filmes que eu ando vendo na TV sobre internatos, as velhas coordenadoras são sempre as mais rabugentas, porque estão no internato há tanto tempo que nem querem mais ver a cara dos alunos.
— Hm, aqui está, Caliel Chase. Bem vinda à escola Lewis e blábláblá. – Ela disse. Bem, eu já sabia que lidaria com uma reação dessas – Eu sou a professora de artes Miranda e... Ah, entra logo.
Ela abriu o portão para eu entrar, resmungando algo sobre ter que decorar um discurso muito grande para alunos tão imbecis.
Quando eu entrei na escola as coisas só pioraram. Sim, isso era bem possível. No folheto, as cores da escola eram bege e bem rústicas. Esses malandros repintaram a escola com a pior cor possível. Verde.
Agora além de terem um jardim cheio de flores verdes, musgos verdes, árvores verdes, bancos verdes, eles tinham a escola totalmente verde.
Se um dia eu souber o aniversario do dono da escola, eu vou dar um buquê de capim bem verde para esse boi pastar.
Sério, eu odeio verde muito mesmo. O tempo me trouxe amargas recordações dessa infernal cor.
Eu tinha chegado cedo demais na escola, mas mesmo assim, os alunos estavam todos aglomerados no pátio, porque as portas estavam fechadas para os dormitórios. Eu fui recebida pela coordenadora secundária que me deu um pacotinho meio grande com o uniforme que eu deveria me vestir.
Fui ao banheiro e me troquei.
Meu azar estava com tudo hoje. O que era perfeitamente normal.
Teríamos mesmo que usar aquela blusa branca com o colarinho combinando com a saia de pregas xadrez com verde? Sem relatar que a saia era muito curta. Muito curta.
Eu rodei o pátio inteiro a procura de um lugar para me sentar e achei um cantinho de terra sem nenhuma mochila e me sentei lá com meu exemplar de “As crônicas de Nárnia”.
Foi exatamente nessa hora que o sinal tocou e a voz da diretora ecoou por todos os alto-falantes pedindo para que todos fossem para o auditório.
Peguei minha mochila e fui em direção ao auditório que eu nem ao menos sabia onde era, mas tinha uma leve impressão de que seria atrás do prédio de aulas.
Eu tinha rodado tanto a escola que fui parar atrás dela. Estava andando por uma estradinha de pedras para chegar ao auditório e parecia que todo mundo já tinha chegado lá.
Andei de cabeça baixa lendo o pequeno exemplar quando senti um peso sendo praticamente arremessado sobre o meu corpo e eu fui atirada imediatamente ao chão com um impacto doloroso.
Abri meus olhos lentamente, porque a raiva já estava pulsante nas minhas veias. Eu iria matar quem quer que fosse que tinha feito isso ou infernizar perpetuamente a vida dessa pessoa. Eu me deparei com um rosto, o mais lindo que já vi em toda a minha vida. Ele tinha os olhos azuis eletrizantes com os cabelos loiros contornando delicadamente todo o rosto, a pele branca que o deixava com um ar totalmente harmonioso.
O garoto era enorme comparando os meus 1,65 de altura. Na verdade, qualquer coisa é maior do que eu, nesses termos.
Eu o encarei e disse tentando ser o mais gentil possível.
— Você se incomodaria se saísse de cima de mim?
Para minha surpresa, o garoto sorriu. Um sorriso maroto por acaso.
— Por que eu faria isso?
— Você vai sair ou não? – Questionei novamente já com a voz alterada.
Ele se levantou em um pulo e nem sequer me ajudou a levantar. Apenas cruzou os braços.
— Você não vai nem me ajudar a levantar?
Outra voz me surpreendeu por trás do garoto e parece ter surpreendido ele também.
— Ele é assim mesmo. – Outro garoto de cabelos castanhos e olhos de cor avelã, veio andando lentamente. Ele se vestia de uma forma madura e parecia ser bem mais velho, mas ainda assim, jovem.
— Daniel? – Parece que o garoto loiro se surpreendeu e isso fez ele se virar e se afastar.
O garoto chamado Daniel se abaixou e segurou uma das minhas mãos delicadamente.
— Meu nome é Daniel Thompson.
— Caliel Chase. – Então ele beijou minha mão e me ajudou a levantar.
— Prazer em conhecê-la. Aquele é Nicholas Foreman. Ele é um pouco rude com as pessoas novas.
Peguei minha mochila e meu livro no chão. Parece que toda a raiva tinha sumido do planeta terra. Daniel era muito educado sem falar que também era lindo, mas suas feições, um pouco, me pareciam com as do outro menino, Nicholas se me recordo.
— Foi bom te conhecer, Daniel, mas acho que estou atrasada, a diretora mandou todos para o auditório. – Informei.
— Caliel, você é linda. – Eu tive que corar com o elogio. – Não se atrase.
— Ei – Eu tinha até esquecido da existência daquele ser tão rude ali no canto. – Vamos, Daniel. Eu também não quero me atrasar.
O garoto colocou as mãos atrás da cabeça e saiu andando pelo caminho como se nada tivesse acontecido.
Ajeitei minha mochila no ombro e corri para o auditório com uma terrível sensação em relação ao Nicholas.
Cheguei ao auditório e parecia que todos os lugares já estavam ocupados. Sentei-me em uma das cadeiras de metal no fundo do auditório fazendo bastante barulho e atrapalhando o discurso da coordenadora secundária no palco, ainda fiz questão de não prestar atenção em cada palavra.
Eu só ouvi o que ela falou quando ela chamou meu nome, anunciando meu quarto e minha dupla.
— Quarto 103 Chase e Foreman. – Ela falou bem alto.
Impressão minha ou eu conhecia aquele nome? Antes que eu pudesse recapitular em meu cérebro quem era o dono daquele sobrenome suspeito, o ser de cabelos loiros subiu ao palco para pegar a chave do dormitório. Meus olhos se arregalaram de pavor.
Eu só ouvi a diretora falar perto do microfone algumas palavras de incentivo para o garoto.
— Bem vindo de volta, Sr. Foreman. Eu espero que você se dê bem com os alunos e sua colega de quarto nova. – Ela olhou para a platéia e pousou o olhar em mim. – Srta. Chase, vai ficar aí sentada ou vai vir pegar a chave?
Foi quando toda a platéia se virou para me olhar. Eu pude ver o sorriso maroto brincando com os cantos dos lábios de Nicholas.
*
Pensaram que eu não ia postar ? Bom , está aí . Espero que gostem . Lembrando que a fic NÃO É MINHA , mas é de uma amiga . Aqui ~Le clique está o perfil dela no Nyah !
Quero aproveitar e dizer que vou dar um tempo em Gossip Girl . Minha vida está muuuito corrida . Ah , e devo postar mais mini-fics . Fique atento(a) em Stories !
Espero que gostem - eu já falei isso né ? - e comentem *-* ...
Beeeijos . Luna L !



